domingo, 31 de agosto de 2008
Refazendo a Rota
Há alguns dias atrás ouvi uma frase que mexeu comigo. A frase é de Juscelino Kubitschek:
Volto atrás sim! Com o erro não há compromisso!
Frase simples, mas de uma sabedoria profunda! Porém, se mal interpretada, pode gerar perda de confiança e abalar qualquer tipo de relação. Comecei a analisá-la e daí veio a idéia de compartilhar minhas conclusões. Não são verdades absolutas, mas sim maneiras de encarar a vida, com a responsabilidade e respeito que todas as pessoas merecem. Passa por reconhecer, aceitar, recriar.
E nada melhor que refazer a rota no início de um novo ano, não é mesmo?
Vamos lá! Por partes...
Volto atrás sim
Voltar atrás não significa perder tempo, não significa que não se chegou aonde se queria. Voltar atrás não é sinônimo de fraqueza ou covardia.
Voltar atrás é oportunidade divina (sim é dádiva!) de olhar de novo, corrigir a rota. Recuar um pouquinho para permitir um avanço seguro.
Voltar atrás nem sempre é possível, mas sempre que o for, não nos envergonhemos do desafio de reescrevermos parte da nossa história, de reconhecermos que talvez a escolha não tenha sido a melhor.
Porém, não façamos disto a desculpa para tornar nossas relações descartáveis. Voltar atrás só vale a pena se for para o bem, nunca esquecendo o cuidado com aqueles que nos são ou um dia foram queridos.
Voltar atrás com consciência pode abrir um leque de inúmeras possibilidades, mas não pode, de maneira alguma, ser um ato leviano.
Com o erro
Somos todos seres humanos, e por isto o erro já faz parte de nossa genética. É DNA. Errar permite o refino, a transformação. É salutar. Se assim o é, porque ter vergonha de errar. Pior, porque ter vergonha de reconhecer a característica de sermos falíveis.
Não é tão duro assim. Aliás, acho que é presente também, afinal, tira das nossas costas a responsabilidade de carregar as dores do mundo.
Só Jesus fez isto, mas Ele não errou, por isto podia.
Mas o fato de reconhecermos que somos falíveis não nos dá direito à irresponsabilidade, ao descaso. Não nos abre o caminho para agirmos como se o mundo fosse sempre o rascunho das nossas atitudes. No mundo colocamos a nossa vida, e isto é coisa bela, importante demais para agirmos aleatoriamente.
Não há compromisso
Comprometer-se é fazer a promessa, e cumpri-la. É a certeza que damos de que ali colocaremos nossa dedicação, nossa atenção, nosso respeito. Mas mais que isto, é renovar esta promessa diariamente e esmerar-se para não quebrá-la
Comprometer exige escolha sábia. Porém, como somos humanos e não temos visão além do alcance nem olho de Tandera, também podemos nos deparar com enganos.
Se assim o for, devemos analisar conscientemente o bem e o mal de renegociar o acordo. Devemos ser sinceros para reconhecer quando não somos mais capazes de sustentar nossas escolhas.
Mas volto a ressaltar, isto não nos dá o direito de tornar descartável aquilo que verdadeiramente não é: nossas relações e o respeito por aqueles que conosco caminham.
Voltemos atrás sim, sempre que o erro nos conduzir ao engano, à mentira, à servidão injusta, à leviandade. Com isto realmente não há compromisso.
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